No Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas, António Guterres destaca os riscos enfrentados pela imprensa e reforça a importância da liberdade de expressão e do acesso à informação
A Organização das Nações Unidas (ONU) reforçou, nesta segunda-feira (2), a necessidade de proteger os profissionais da imprensa e combater a impunidade dos crimes cometidos contra jornalistas. A manifestação ocorreu durante as celebrações do Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes Contra Jornalistas, data dedicada à defesa da liberdade de imprensa e à responsabilização dos autores de ataques contra comunicadores.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou a atenção para a violência enfrentada por profissionais da comunicação em diferentes regiões do planeta. Segundo ele, jornalistas continuam sendo perseguidos, ameaçados e assassinados simplesmente por exercerem o direito de informar a sociedade.
“Em todo o mundo, jornalistas continuam pagando um preço exorbitante por dizerem a verdade”, declarou Guterres.
A data internacional presta homenagem aos jornalistas franceses Ghislaine Dupont e Claude Verlon, da Rádio França Internacional (RFI), assassinados em 2 de novembro de 2013, no Mali, enquanto exerciam suas atividades profissionais.
Novas tecnologias ampliam riscos para profissionais da imprensa
Em 2026, a campanha das Nações Unidas destaca os impactos das novas tecnologias e dos armamentos modernos sobre a segurança dos jornalistas, especialmente daqueles que trabalham na cobertura de conflitos armados.
O uso crescente de drones e outros equipamentos militares em regiões de guerra representa uma ameaça adicional aos profissionais responsáveis por documentar acontecimentos e levar informações à população.
A ONU também ressalta que a proteção dos jornalistas é fundamental para garantir o direito da sociedade à informação, fortalecer a democracia e impedir que violações dos direitos humanos permaneçam desconhecidas.
Quase 190 jornalistas foram assassinados em dois anos
Dados divulgados pelas Nações Unidas apontam que 189 jornalistas foram assassinados em diferentes países durante os anos de 2024 e 2025. O número representa o maior registro desde o biênio 2014-2015, evidenciando o agravamento da violência contra profissionais da comunicação.
Grande parte dessas mortes ocorreu em zonas de conflito, onde jornalistas enfrentam condições extremas de insegurança durante a cobertura de guerras e crises humanitárias.
Além das mortes, ameaças, intimidações e ataques representam obstáculos ao exercício independente do jornalismo, comprometendo o acesso da população a informações de interesse público.
Fenaj cobra investigação e punição dos responsáveis
No Brasil, a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, defendeu que governos e autoridades adotem medidas efetivas para investigar crimes contra profissionais da imprensa e responsabilizar os envolvidos.
Para a dirigente, o assassinato de qualquer jornalista é inaceitável e exige respostas das instituições responsáveis pela aplicação da Justiça.
“A campanha da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) este ano pergunta: Quem ordenou o assassinato? Quem planejou? Quem é o responsável final? Essas são perguntas que não podem ficar sem resposta”, afirmou.
A mobilização internacional busca conscientizar governos e a sociedade sobre a importância de combater a impunidade, assegurar condições dignas e seguras de trabalho aos jornalistas e preservar a liberdade de imprensa como um dos pilares fundamentais das sociedades democráticas.
Da Redação do Mais55



