Em entrevista ao DF2, governadora do Distrito Federal afirmou que foi contrária à compra do Banco Master, defendeu medidas para recuperar as contas públicas e apresentou propostas para saúde, educação, transporte e infraestrutura
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), participou, na noite desta quinta-feira (15), de uma entrevista ao DF2, da TV Globo. Durante aproximadamente 20 minutos, a chefe do Executivo local abordou a crise financeira do Banco de Brasília (BRB), criticou decisões tomadas durante a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e garantiu que terá recursos para cumprir as promessas apresentadas durante a campanha eleitoral.
A entrevista integra a cobertura do segundo turno das eleições de 2026, marcado para 25 de outubro. O adversário de Celina, Leandro Grass (PT), será entrevistado nesta sexta-feira (16).
Crise do BRB e relação com o Banco Master
Um dos principais assuntos da entrevista foi a crise envolvendo o BRB e as operações financeiras realizadas com o Banco Master.
Questionada sobre a ausência de divulgação do balanço financeiro da instituição desde que assumiu o Governo do Distrito Federal (GDF), em 30 de março, Celina afirmou que a publicação dos resultados não deve ser condicionada ao calendário eleitoral.
Segundo a governadora, a divulgação está relacionada à conclusão de uma operação de empréstimo de R$ 6 bilhões, com prazo de pagamento de 15 anos. Ela assegurou que a responsabilidade pela quitação será do próprio banco.
Celina também informou que o BRB busca recuperar recursos envolvidos nas negociações com o Banco Master. De acordo com suas declarações, aproximadamente R$ 9 bilhões em créditos adquiridos estão sob administração do liquidante da instituição.
A candidata afirmou que o banco ingressou com medidas judiciais para buscar o ressarcimento de valores relacionados às operações investigadas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.
Governadora critica decisões de Ibaneis Rocha
Ao comentar as negociações entre o BRB e o Banco Master, Celina Leão procurou se distanciar das decisões tomadas durante a administração de Ibaneis Rocha.
A governadora declarou que sempre foi contrária à aquisição do banco privado pelo BRB e afirmou que mantinha uma relação de inimizade com Paulo Henrique Costa, ex-presidente da instituição financeira preso durante a Operação Compliance Zero.
“Essa decisão de compra do Master, eu fui contrária desde o começo. Eu achava que o banco, que o BRB não tinha que comprar um banco privado”, declarou.
Celina também foi questionada sobre sua participação no governo anterior, quando ocupava o cargo de vice-governadora. Ela reconheceu avanços administrativos durante a gestão de Ibaneis, mas afirmou que não pode assumir a responsabilidade por decisões das quais discordava.
Na área da saúde, a candidata criticou a condução do setor pelo antecessor e declarou que o atendimento à população passou a receber maior atenção em sua administração.
Situação financeira do Distrito Federal
Outro tema abordado foi a situação das contas públicas do Distrito Federal.
Celina afirmou que encontrou um déficit de aproximadamente R$ 5 bilhões ao assumir o governo e que sua equipe econômica iniciou medidas para reorganizar as finanças.
Segundo a governadora, o GDF conseguiu recuperar parte da capacidade financeira, mas ainda enfrenta dificuldades relacionadas ao orçamento elaborado pela administração anterior.
Ela explicou que existem recursos disponíveis em caixa, porém determinadas despesas dependem de autorizações orçamentárias da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
A candidata também informou que foram identificados aproximadamente R$ 4 bilhões em empenhos que não teriam sido executados. O governo, segundo ela, trabalha no cancelamento dessas despesas para reorganizar a distribuição dos recursos públicos.
“Nós recuperamos a capacidade financeira. A nossa maior dificuldade hoje é trabalhar com um orçamento que nós não fizemos”, afirmou.
Celina garante recursos para cumprir promessas
Apesar das dificuldades financeiras, Celina Leão garantiu que as propostas apresentadas durante a campanha possuem viabilidade técnica e financeira.
Entre os compromissos mencionados estão a ampliação do transporte público gratuito, investimentos no metrô, construção de unidades de saúde e melhorias na infraestrutura do Distrito Federal.
A candidata afirmou que parte dos recursos necessários será obtida por meio da redução de despesas administrativas.
Como exemplo, citou a transferência de órgãos governamentais para o Centro Administrativo do Distrito Federal (CAD), medida que, segundo ela, contribui para diminuir os gastos públicos.
Celina também defendeu a ampliação do programa Vai de Graça, incluindo a possibilidade de gratuidade no transporte coletivo para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
De acordo com a governadora, a gratuidade do transporte pode estimular a circulação de consumidores e movimentar a economia local.
Metrô terá investimentos em modernização
Os problemas enfrentados pelos usuários do Metrô-DF também foram discutidos durante a entrevista.
Questionada sobre falhas operacionais, interrupções frequentes e dificuldades de manutenção, Celina afirmou que sua administração iniciou processos para modernizar o sistema.
Entre as medidas anunciadas, destacou a licitação para aquisição de 15 novos vagões e investimentos de aproximadamente R$ 100 milhões em subestações de energia.
Segundo a candidata, as intervenções permitirão ampliar a capacidade operacional e melhorar a qualidade do transporte oferecido à população.
Ao ser convidada a atribuir uma nota ao funcionamento atual do metrô, Celina evitou apresentar uma avaliação numérica e ressaltou a necessidade de modernização da estrutura existente.
Educação e críticas ao sindicato dos professores
Na área educacional, a governadora foi questionada sobre o desempenho do Distrito Federal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e as mudanças realizadas na Secretaria de Educação.
Celina defendeu a substituição do comando da pasta e as alterações no calendário escolar, mesmo diante das críticas de representantes da comunidade educacional.
A candidata também contestou acusações de autoritarismo feitas pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF).
“Chamar uma paralisação quatro dias antes da eleição, isso não é correto com a comunidade escolar, isso que é não ouvir a comunidade escolar”, declarou.
Segundo a governadora, mudanças administrativas podem provocar resistência, mas são necessárias para melhorar os resultados da educação pública.
Saúde e assistência social são destacadas
Nas considerações finais, Celina apresentou um balanço dos primeiros cinco meses de sua administração e destacou ações nas áreas de saúde, assistência social e infraestrutura.
Segundo os números apresentados pela candidata, o governo realizou aproximadamente 20 mil cirurgias e 200 mil consultas durante o período.
Ela também reafirmou o compromisso de entregar cinco novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ainda em 2026 e mencionou projetos para construção de hospitais, incluindo uma unidade no Guará.
Na assistência social, destacou a assinatura de um convênio com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), que, segundo ela, deverá beneficiar 13 mil crianças neurodivergentes.
A governadora também mencionou a abertura da Casa da Mãe Atípica, no Parque da Cidade, além de ações voltadas ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Na infraestrutura, citou a realização de 20 edições do programa GDF na Sua Porta, com aproximadamente 2 mil ordens de serviço.
Disputa pelo Governo do Distrito Federal
Ao encerrar a entrevista, Celina Leão afirmou que os resultados apresentados nos primeiros meses de governo demonstram sua capacidade administrativa e reforçou o compromisso de ampliar os investimentos públicos caso seja reeleita.
A candidata reconheceu que ainda existem problemas a serem enfrentados, especialmente na saúde e no transporte, mas defendeu a continuidade de sua gestão.
Celina Leão e Leandro Grass disputam o segundo turno das eleições para o Governo do Distrito Federal, marcado para o próximo dia 25 de outubro. Na mesma data, os brasileiros também escolherão o presidente da República entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Da Redação do Mais55



