Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, eleitas pelo PL, se juntarão a Damares Alves (Republicanos) em 2027; parlamentares compartilham pautas conservadoras e defendem valores ligados à família tradicional
O Distrito Federal fará história a partir de fevereiro de 2027 ao se tornar a primeira unidade da Federação brasileira a contar com uma bancada formada exclusivamente por mulheres no Senado Federal. Com a eleição de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do Partido Liberal (PL), as duas novas senadoras passarão a dividir a representação da capital com Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022 e com mandato até 2031.
Além de representar um marco na participação feminina no Congresso Nacional, o resultado das urnas evidencia o fortalecimento de lideranças conservadoras no cenário político do Distrito Federal. As três parlamentares possuem trajetórias distintas, mas compartilham posicionamentos ligados à defesa da família tradicional, aos valores religiosos e a pautas identificadas com a direita brasileira.
A composição inédita também chama atenção pelo posicionamento das futuras integrantes da bancada em relação ao feminismo. Embora defendam a ampliação da participação das mulheres na política, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves apresentam críticas a determinadas pautas dos movimentos feministas.
Eleição de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis consolida força do PL no Distrito Federal
A vitória de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foi resultado de uma disputa eleitoral marcada pela presença de candidaturas femininas competitivas.
A formação de uma bancada composta por mulheres esteve entre os argumentos utilizados durante a campanha das duas candidatas, que receberam apoio de lideranças conservadoras, incluindo a governadora Celina Leão (PP).
Celina, que assumiu o Governo do Distrito Federal em março de 2026 após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), chegou a manifestar publicamente o desejo de ver duas mulheres eleitas para o Senado.
A governadora também disputa a permanência no Palácio do Buriti e enfrentará Leandro Grass (PT) no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Na corrida pelas duas vagas do Distrito Federal no Senado, outras candidatas também alcançaram votações expressivas. Leila do Vôlei (PDT) terminou na terceira colocação, com 21,25% dos votos, enquanto Erika Kokay (PT) ficou em quarto lugar, com 18,91%.
Conheça as três senadoras que representarão o Distrito Federal
Michelle Bolsonaro (PL)
Ex-primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro conquistou seu primeiro mandato eletivo ao vencer a disputa pelo Senado Federal.
Antes de ingressar diretamente na política eleitoral, ganhou projeção nacional durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e ampliou sua atuação partidária à frente do PL Mulher, organização que comandou por três anos.
Sua trajetória política é marcada pela defesa de valores cristãos, da família tradicional e pelo incentivo à participação de mulheres alinhadas ao conservadorismo.
Em discursos públicos, Michelle defendeu uma atuação política que classificou como “feminina, não feminista”, posicionamento que se tornou uma de suas principais referências ideológicas.
Bia Kicis (PL)
Deputada federal pelo Distrito Federal, Bia Kicis construiu sua trajetória política com forte atuação em pautas conservadoras, especialmente relacionadas à segurança pública, às liberdades individuais e à defesa de princípios associados à direita.
Com a eleição para o Senado, a parlamentar iniciará uma nova etapa de sua carreira política em 2027.
Bia também se destaca por posicionamentos críticos a determinadas propostas defendidas por movimentos feministas.
Em 2023, esteve entre os dez deputados federais que votaram contra o projeto destinado a fortalecer a igualdade salarial entre homens e mulheres.
Na ocasião, argumentou que a legislação trabalhista brasileira já assegurava o princípio da igualdade remuneratória e questionou a aplicação de multas elevadas aos empregadores.
Damares Alves (Republicanos)
Eleita senadora pelo Distrito Federal em 2022, Damares Alves permanecerá no cargo até 2031.
Ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante o governo Jair Bolsonaro, Damares possui trajetória política associada à defesa da infância, da família, de valores religiosos e de pautas conservadoras.
No Senado, sua atuação também envolve debates relacionados à proteção de crianças e adolescentes, ao enfrentamento da violência e à promoção de políticas públicas voltadas às famílias.
Com a chegada de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, Damares passará a integrar uma bancada exclusivamente feminina, formada por parlamentares com afinidades políticas e ideológicas.
Representatividade feminina abre debate sobre diversidade política
Apesar do resultado histórico no Senado, a participação feminina na representação do Distrito Federal apresenta contrastes.
Enquanto as três cadeiras da capital no Senado serão ocupadas por mulheres, nenhuma candidata foi eleita para as oito vagas do DF na Câmara dos Deputados.
Para a cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília (UnB), essa diferença demonstra que o resultado da eleição para o Senado não representa, necessariamente, um avanço generalizado da presença feminina nas instituições políticas.
Segundo a pesquisadora, a vitória das candidatas está relacionada à força eleitoral de grupos conservadores e ao cenário de polarização política.
Biroli avalia que as parlamentares projetam imagens de mulheres com protagonismo e influência, mas apresentam posicionamentos distintos daqueles tradicionalmente defendidos por movimentos feministas em relação aos direitos individuais e às responsabilidades do Estado na promoção da igualdade de gênero.
Bia Kicis defende pluralidade de opiniões entre mulheres
Questionada sobre suas críticas ao feminismo, Bia Kicis afirmou ao g1 que a defesa dos direitos das mulheres não precisa estar vinculada a uma única corrente ideológica.
A parlamentar argumentou que mulheres possuem diferentes valores, prioridades e perspectivas políticas, e que essa diversidade deve ser respeitada.
Segundo Bia, sua atuação no Senado será direcionada à defesa de políticas relacionadas à segurança, à saúde e à ampliação de oportunidades, independentemente das posições políticas das cidadãs.
O posicionamento acompanha o discurso de Michelle Bolsonaro, que, durante sua atuação no PL Mulher, defendeu o fortalecimento da presença feminina na política sem necessariamente adotar as bandeiras dos movimentos feministas.
Nova composição amplia protagonismo político das mulheres no DF
A partir de fevereiro de 2027, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Damares Alves serão responsáveis por representar os interesses do Distrito Federal no Senado Federal, participando da elaboração de leis, da fiscalização do Poder Executivo e da análise de indicações para cargos estratégicos da administração pública.
A composição inédita coloca a capital federal em destaque no cenário político nacional e amplia a visibilidade de lideranças femininas conservadoras.
Ao mesmo tempo, o resultado eleitoral reforça o debate sobre as diferentes formas de representação política das mulheres, demonstrando que a ampliação da presença feminina nos espaços de poder não significa, necessariamente, uniformidade de pensamento de posicionamento ideológico.
Da Redação do Mais55



