Presidente reforça cooperação com os EUA e busca blindar relação bilateral de ataques bolsonaristas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou o combate ao crime organizado no centro da conversa que manteve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última terça-feira (2). A decisão, segundo auxiliares do Planalto, teve como finalidade blindar a relação entre os dois governos diante das ofensivas da oposição brasileira.
Ao antecipar um tema frequentemente explorado por adversários, que acusam o governo petista de fragilidade no enfrentamento às facções, Lula reduz espaço para críticas e reforça a cooperação histórica entre Brasil e EUA nessa área.
O restabelecimento do diálogo direto entre os presidentes é comemorado pelo Itamaraty após meses de tensão provocados por ataques do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do comentarista Paulo Figueiredo, que vinham desgastando a relação bilateral.
O movimento de Lula também envia um recado interno em meio ao acirramento do debate sobre segurança pública. Nos últimos meses, o governo encaminhou ao Congresso propostas voltadas ao endurecimento do combate ao crime, como a PEC da Segurança Pública — com relatório previsto para esta quinta-feira (4) — e o PL Antifacção, que deve ser votado no Senado ainda nesta semana após mudanças aprovadas na Câmara.
A oposição, entretanto, acusa o governo de apresentar medidas brandas e insiste em equiparar facções criminosas a organizações terroristas — ponto que ficou de fora do texto aprovado pela Câmara, embora tenha havido endurecimento de penas.
O governo defende uma estratégia centrada em inteligência e no estrangulamento financeiro das facções. Em comunicado oficial, Lula destacou a Trump operações recentes que miram o patrimônio de organizações criminosas, inclusive com atuação internacional, e pediu reforço na cooperação entre os dois países.
“O presidente Trump expressou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e afirmou que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas para enfrentar essas organizações criminosas”, diz a nota.
Nas redes sociais, Trump classificou o diálogo como “muito produtivo” e afirmou que discutiu com Lula temas como comércio, combate ao crime organizado e sanções aplicadas a autoridades brasileiras.
Da Redação do Mais55



