Expedição científica do Serviço Geológico do Brasil encontrou sinais de atividade hidrotermal em região com potencial para depósitos de cobre, zinco, ouro e prata; descoberta pode ampliar o conhecimento sobre as riquezas minerais do país

O Brasil identificou novos indícios da presença de minerais estratégicos no fundo do Oceano Atlântico. A descoberta preliminar foi realizada durante uma expedição científica coordenada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), que investigou áreas com potencial para abrigar depósitos de cobre, zinco, ouro e prata.

Os resultados foram divulgados na quinta-feira (22) e representam um avanço nas pesquisas sobre os recursos minerais existentes nas profundezas oceânicas. Apesar das evidências encontradas, os pesquisadores destacam que ainda serão necessários estudos complementares para confirmar a existência de depósitos minerais economicamente viáveis.

A missão científica durou 29 dias e percorreu três áreas da Cordilheira Mesoatlântica, no Atlântico Equatorial, ao norte do arquipélago de São Pedro e São Paulo, em águas internacionais próximas aos limites marítimos brasileiros.

Durante os trabalhos, os especialistas identificaram alterações na concentração de partículas suspensas na água, consideradas possíveis sinais de atividade hidrotermal, fenômeno associado à formação de depósitos minerais no fundo do mar.

Pesquisa busca identificar riquezas minerais

A expedição aconteceu entre os dias 9 de setembro e 8 de outubro, a bordo do navio de pesquisa hidroceanográfico Vital de Oliveira.

A operação contou com a cooperação da Marinha do Brasil, do Serviço Geológico do Brasil, da Petrobras e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Durante a missão, os pesquisadores coletaram amostras de água e sedimentos, além de realizar levantamentos geofísicos para analisar a composição e as características geológicas das regiões investigadas.

O principal objetivo é localizar possíveis depósitos de sulfetos polimetálicos maciços, formações naturais que podem concentrar metais de elevado interesse econômico e tecnológico.

Esses depósitos surgem quando a água do mar penetra em fraturas da crosta oceânica, é aquecida e transporta substâncias minerais dissolvidas. Ao retornar ao ambiente marinho e entrar em contato com temperaturas mais baixas, os metais podem se acumular e formar concentrações minerais.

Minerais são estratégicos para a economia

A possível identificação desses recursos desperta interesse devido à importância dos metais para diferentes setores industriais.

O cobre é amplamente utilizado na fabricação de equipamentos eletrônicos, redes de transmissão de energia e tecnologias relacionadas à transição energética. O zinco possui aplicações na indústria siderúrgica, principalmente na proteção do aço contra a corrosão.

Já o ouro e a prata, além do valor comercial, são utilizados em componentes eletrônicos e equipamentos tecnológicos.

Entretanto, a identificação de sinais hidrotermais não significa necessariamente que existam reservas em quantidade suficiente para exploração comercial.

Exploração enfrenta desafios ambientais e tecnológicos

Embora as descobertas possam abrir novas perspectivas para a mineração brasileira, a retirada de minerais em grandes profundidades apresenta obstáculos significativos.

As operações exigem equipamentos especializados, capazes de suportar pressões extremas, além de tecnologias para transportar os materiais extraídos até a superfície.

Outro desafio envolve os possíveis impactos ambientais sobre ecossistemas marinhos ainda pouco conhecidos pela ciência.

Atualmente, a mineração comercial em águas profundas permanece em discussão internacional. A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), responsável pela regulamentação da atividade em áreas fora das jurisdições nacionais, ainda negocia regras para a exploração comercial desses recursos.

Brasil amplia pesquisas no Atlântico

A expedição integra o projeto Procordilheira, vinculado ao Programa de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais da Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial (PROAREA).

A iniciativa busca ampliar o conhecimento geológico sobre regiões oceânicas estratégicas e reunir informações que possam orientar futuras decisões relacionadas à pesquisa e à eventual exploração mineral.

Além das análises geológicas, os cientistas coletaram amostras destinadas a estudos sobre biodiversidade marinha, utilizando técnicas de identificação de DNA ambiental.

O material permitirá investigar a presença de organismos nas regiões pesquisadas, contribuindo para o conhecimento científico e para a avaliação de possíveis impactos ambientais.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil, os dados coletados ainda passarão por análises laboratoriais. Os resultados deverão orientar novas expedições e ajudar a determinar o verdadeiro potencial mineral das áreas investigadas.

Da Redação do Mais55 News