Fenômeno climático tem 83% de probabilidade de atingir intensidade histórica entre outubro e dezembro de 2026; previsão indica aumento das chuvas no Sul e risco de seca em áreas do Norte e Nordeste
A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA) está monitorando o avanço de um El Niño que poderá se tornar o mais intenso desde o início dos registros históricos, em 1950. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, já está estabelecido e apresenta sinais de fortalecimento, podendo provocar mudanças significativas no clima de diferentes regiões do planeta, incluindo o Brasil.
De acordo com o boletim de outubro da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe uma probabilidade de 83% de que o fenômeno alcance intensidade histórica entre outubro e dezembro deste ano.
Embora a possibilidade de recorde ainda não esteja confirmada, os cientistas acompanham com atenção as alterações na temperatura dos oceanos, na circulação dos ventos e na distribuição das chuvas.
Satélites identificam mudanças no Oceano Pacífico
O monitoramento realizado pela NASA utiliza informações de satélites capazes de identificar variações na temperatura e na altura da superfície do mar.
As observações mostram que grandes volumes de água aquecida estão se deslocando pelo Pacífico, provocando elevações de até 40 centímetros no nível do oceano em determinadas áreas.
Os equipamentos também identificaram mudanças na coloração das águas, associadas à redução de organismos microscópicos que dependem de nutrientes transportados pelas correntes oceânicas.
Na região leste do Pacífico, a temperatura da superfície do mar já está aproximadamente 1,7°C acima da média histórica, indicando a intensidade do aquecimento.
Essas alterações são importantes porque o El Niño modifica a circulação atmosférica e influencia os padrões de precipitação em diversas partes do mundo.
Brasil pode enfrentar chuvas intensas e períodos de seca
Os efeitos do El Niño não ocorrem de maneira uniforme no território brasileiro. Enquanto algumas regiões podem registrar chuvas acima da média, outras enfrentam maior risco de estiagem e temperaturas elevadas.
Na Região Sul, a tendência é de aumento das precipitações, com possibilidade de tempestades, alagamentos, enchentes e outros transtornos associados ao excesso de chuva.
Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estão entre os que exigem maior atenção diante da possibilidade de episódios de precipitação intensa.
Já nas regiões Norte e Nordeste, o cenário pode ser oposto. A influência do fenômeno favorece a redução das chuvas em determinadas áreas, aumentando os riscos de estiagem, dificuldades no abastecimento de água e prejuízos às atividades agrícolas.
No Centro-Oeste e no Sudeste, as consequências são mais variáveis, mas há possibilidade de mudanças na distribuição das chuvas e de períodos de calor intenso.
Agricultura brasileira está entre os setores mais vulneráveis
O avanço do El Niño também preocupa produtores rurais, especialmente pela influência das condições climáticas sobre o calendário agrícola.
No Sul, o excesso de chuva pode prejudicar o plantio, dificultar a colheita e favorecer o desenvolvimento de doenças nas lavouras.
Por outro lado, a redução das precipitações em áreas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste pode comprometer a disponibilidade de água para culturas como soja, milho e outras atividades agrícolas.
A região conhecida como Matopiba, formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, está entre as áreas que podem enfrentar maiores riscos de estiagem.
Especialistas destacam que a intensidade do fenômeno não significa, necessariamente, perdas generalizadas na produção. Os impactos dependerão do volume de chuvas, da duração dos períodos secos e das condições específicas de cada região produtora.
Fenômeno pode influenciar o clima até 2027
O El Niño é um fenômeno natural que ocorre, em geral, em intervalos de dois a sete anos. Sua formação está relacionada ao aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial e às mudanças na circulação dos ventos.
Quando atinge intensidade elevada, pode alterar padrões climáticos em escala global, influenciando períodos de chuva, seca e temperatura.
A expectativa é de que o episódio atual continue influenciando as condições atmosféricas nos próximos meses, com possíveis reflexos ao longo de 2027.
Apesar das projeções, os órgãos meteorológicos ressaltam que previsões sazonais indicam tendências e probabilidades, não sendo possível determinar com antecedência todos os eventos extremos que poderão ocorrer.
Monitoramento será fundamental nos próximos meses
Com a possibilidade de um dos episódios mais intensos já registrados, o acompanhamento das condições oceânicas e atmosféricas será essencial para orientar medidas preventivas.
No Brasil, a atenção deverá se concentrar principalmente nas regiões suscetíveis a enchentes, estiagens prolongadas e perdas agrícolas.
A NASA e a NOAA continuarão acompanhando a evolução do fenômeno por meio de satélites, modelos climáticos e medições oceânicas.
A recomendação é que governos, produtores rurais e a população acompanhem os boletins dos órgãos oficiais de meteorologia e defesa civil, especialmente diante da possibilidade de alterações importantes no regime de chuvas.
O cenário reforça a necessidade de planejamento e prevenção, uma vez que os efeitos de um El Niño de grande intensidade podem atingir desde a produção de alimentos até o abastecimento de água e a segurança de comunidades vulneráveis.
Da Redação do Mais55



