Presidente dos Estados Unidos comentou disputa a três dias do primeiro turno; declaração ocorre em meio a alertas no Brasil sobre possíveis interferências externas no processo eleitoral
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última quinta-feira (1º) que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras de 2026. A declaração foi feita a uma jornalista na saída da Casa Branca, antes de Trump embarcar para o Texas. O primeiro turno das eleições brasileiras será realizado neste domingo (4).
Ao comentar o processo eleitoral, Trump destacou a importância do Brasil e classificou a eleição como relevante. Apesar da manifestação, o presidente norte-americano não citou candidatos nem declarou apoio a nenhum dos concorrentes à Presidência da República.
“Estou acompanhando muito de perto. O Brasil é um país muito importante. É um grande país. As pessoas no Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”, declarou.
A manifestação ocorre em um momento de atenção das autoridades e de setores da sociedade brasileira para possíveis tentativas de influência estrangeira no processo eleitoral.
Abin apontou risco de interferência
Em relatório elaborado em agosto e divulgado em setembro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. Segundo informações sobre o documento confirmadas pela TV Brasil, a agência classificou a possibilidade de interferência externa como uma questão de criticidade e relacionou a avaliação à política dos Estados Unidos para a América Latina durante o segundo governo Trump.
A existência do alerta não significa, por si só, comprovação de que uma ação de interferência tenha ocorrido. O documento apresenta uma avaliação de risco feita pela inteligência brasileira.
As preocupações também chegaram à comunidade científica. Em setembro, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgaram manifestação defendendo a soberania do processo eleitoral e alertando para eventuais pressões estrangeiras capazes de afetar a livre formação da vontade dos eleitores.
Relação entre Brasil e Estados Unidos
O tema também repercutiu nos Estados Unidos. Em setembro, 31 parlamentares democratas enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, na qual criticaram medidas adotadas pelo governo Trump em relação ao Brasil e pediram que Washington respeitasse o processo eleitoral brasileiro e o resultado oficialmente proclamado. As acusações apresentadas na carta representam a posição dos parlamentares signatários.
Às vésperas da votação, instituições brasileiras também reforçaram medidas relacionadas à segurança eleitoral. Entre 21 e 25 de setembro, o Exército coordenou a oitava edição do exercício Guardião Cibernético, que reuniu cerca de 1,3 mil participantes e simulou ameaças digitais contra serviços e infraestruturas críticas.
O processo eleitoral brasileiro também contará com acompanhamento internacional. A Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou 90 observadores de 23 países, distribuídos por mais de 20 estados e pelo Distrito Federal. É a quinta vez que a organização envia uma missão para acompanhar eleições gerais no Brasil.
Até a declaração de ontem, Trump não anunciou apoio a nenhum candidato na disputa presidencial brasileira.
Da Redação do Mais55



