Formação em Paraúna, antes cercada de mistérios, é explicada como resultado de atividade vulcânica associada à separação do supercontinente Gondwana

Uma impressionante muralha de pedra com cerca de 15 quilômetros de extensão, localizada no município de Paraúna, no oeste de Goiás, tem despertado a curiosidade de pesquisadores, turistas e moradores da região. Situada no Parque Estadual de Paraúna, a formação rochosa se destaca pela aparência peculiar e pela disposição linear dos blocos de basalto, que por muito tempo levantaram hipóteses sobre sua origem.

Durante anos, teorias populares sugeriram que a muralha teria sido construída por civilizações antigas ou até serviria como uma espécie de divisão territorial entre povos pré-colombianos, como incas e maias. Outra hipótese curiosa apontava o uso de óleo de baleia como material de fixação das pedras — ideia que ganhou força em relatos antigos sobre o local.

No entanto, estudos mais recentes indicam que a formação é totalmente natural. De acordo com o geólogo Silas Gonçalves, a estrutura pode ter entre 130 e 135 milhões de anos, sendo resultado de intensos eventos vulcânicos ocorridos durante a fragmentação do supercontinente Gondwana e a abertura do Oceano Atlântico Sul.

Esses fenômenos deram origem à chamada Província Magmática do Paraná, responsável por grandes derrames de lava basáltica que cobriram extensas áreas do território brasileiro. Com o resfriamento da lava, ocorreram fraturas naturais que formaram blocos com formatos geométricos, posteriormente expostos pela ação da erosão ao longo de milhões de anos.

“A combinação de processos como resfriamento do basalto, fraturamento térmico e erosão diferencial pode gerar estruturas que lembram construções humanas”, explicou o geólogo.

A teoria do uso de óleo de baleia também foi revisada. Segundo o coordenador da unidade de conservação, Danilo Lessa, a substância observada nas fissuras é, na verdade, um dique de diabásio — material magmático que preencheu naturalmente as rachaduras e se solidificou ao longo do tempo.

Além da muralha, o parque abriga diversas atrações naturais que encantam visitantes. Formações rochosas com formatos curiosos, como tartarugas, cálices e chapéus, se espalham pela paisagem, principalmente nas regiões da Serra das Galés e da Serra da Portaria.

Outro destaque é a descoberta, em 2021, de um dente de dinossauro terópode na Serra da Portaria, evidência de que a região já foi habitada por esses animais pré-históricos.

As cachoeiras também atraem turistas, com destaque para a Cachoeira do Desengano, considerada uma das mais belas do parque e de fácil acesso, sem necessidade de guia.

O Parque Estadual de Paraúna é aberto à visitação pública diariamente, com recomendação de entrada entre 7h e 17h. Embora a presença de guias não seja obrigatória, os gestores orientam que visitantes considerem o acompanhamento profissional para garantir maior segurança durante os passeios.

A muralha, que por anos alimentou o imaginário popular, hoje reforça a grandiosidade dos processos naturais que moldaram o território brasileiro — e segue como um dos cenários mais intrigantes do Cerrado goiano.

Da Redação do Mais55|*Com as informações do G1-GO