Citação do governador em investigação sobre o BRB e o Banco Master embasa pedidos apresentados por PSB, Cidadania e PSOL
Partidos de oposição no Distrito Federal protocolaram um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha após ele ter sido citado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas investigações que apuram a tentativa de venda da instituição privada ao Banco de Brasília (BRB). A iniciativa partiu do PSB-DF, do Cidadania-DF e do PSOL.
As legendas acusam o governador de supostos crimes de responsabilidade relacionados à atuação do governo local em operações envolvendo o banco público. Segundo os partidos, houve “atuação temerária” do Executivo, com risco ao erário, violação de princípios da administração pública, falta de transparência nas negociações e possível influência indevida do governador em decisões internas do BRB.
Entre os pontos citados no pedido estão a compra de títulos considerados de baixa qualidade e de origem irregular, a criação de dívidas fora do orçamento e negociações diretas com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Ibaneis Rocha nega as acusações. Em declarações à imprensa nesta sexta-feira (23), o governador afirmou que nunca tratou da operação envolvendo o BRB e o Banco Master com Vorcaro. Segundo ele, todas as negociações eram conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, demitido após a deflagração de operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público.
O governador confirmou encontros sociais com o banqueiro, incluindo um almoço em sua residência, organizado por um amigo em comum, mas garantiu que não houve discussão sobre assuntos relacionados ao banco. “Em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, declarou.
De acordo com investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes, numa tentativa de evitar a quebra da instituição privada, que enfrentava grave crise de liquidez. O caso resultou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro.
As apurações apontam que, entre 2024 e 2025, o BRB injetou aproximadamente R$ 16,7 bilhões no Banco Master. O rombo estimado no banco público chega a R$ 4 bilhões. Segundo reportagens da Folha de S.Paulo e do Valor Econômico, o Banco Central teria determinado um provisionamento mínimo de R$ 2,6 bilhões para cobrir possíveis prejuízos, informação ainda não confirmada oficialmente pelo órgão.
Ex-executivos das duas instituições foram intimados a depor entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. As investigações indicam falhas graves de governança e possíveis ilícitos administrativos. Segundo O Estado de S. Paulo, Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que conversou “algumas vezes” com Ibaneis sobre as negociações, informação revelada após acesso ao depoimento prestado em 30 de dezembro, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
Paralelamente às investigações da PF, do Ministério Público e do Banco Central, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente analisam as transações realizadas, mas ainda não divulgaram conclusões oficiais.
Da Redação do Mais55



