Filme concorre em três categorias, incluindo melhor drama, e consolida protagonismo do Brasil na temporada internacional de premiações

O cinema brasileiro vive um de seus momentos mais emblemáticos às vésperas da cerimônia do Globo de Ouro, marcada para este domingo (11), em Los Angeles. A 83ª edição da premiação tem O Agente Secreto como principal representante do país, com três indicações de peso: melhor filme de drama, melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em filme de drama, para Wagner Moura.

É a primeira vez que uma produção brasileira concorre à categoria principal de drama do Globo de Ouro, feito considerado histórico e que reforça o reposicionamento do audiovisual nacional no cenário internacional. O movimento teve início no ano passado, com a vitória de Fernanda Torres como melhor atriz por Ainda Estou Aqui, abrindo caminho para uma maior atenção da indústria às produções brasileiras.

Estrelado por Wagner Moura e dirigido por Kleber Mendonça Filho, O Agente Secreto chega à premiação embalado por uma trajetória sólida. Desde a estreia premiada no Festival de Cannes, em 2025, o longa acumula críticas positivas, circulação intensa em festivais e salas comerciais, além de reconhecimento inédito no Critics Choice Awards, onde venceu como melhor filme internacional — a primeira vitória do Brasil na categoria.

A atuação de Wagner Moura também tem sido destaque na disputa individual. Veículos especializados, como a revista Vanity Fair, apontam o ator entre os favoritos, ressaltando a força de sua performance em português após mais de uma década dedicada majoritariamente a produções internacionais. No Globo de Ouro, a divisão das categorias de atuação por gênero altera o cenário da competição, colocando Moura frente a nomes como Michael B. Jordan e Dwayne Johnson, em uma disputa considerada aberta.

O perfil internacional do Globo de Ouro também favorece o longa brasileiro. A premiação conta com 334 votantes de 85 países, o que amplia as chances de produções com forte circulação global. Nesse contexto, a presença constante do diretor e da equipe do filme em debates, exibições especiais e encontros com eleitores tem sido estratégica.

A concorrência, no entanto, é acirrada. Em melhor filme em língua não inglesa, O Agente Secreto disputa o prêmio com produções como Os Excelentes, Foi Apenas um Acidente, Valor Sentimental, Cirate – A Voz de Rindi Rásda e A Única Saída. Já na categoria de melhor filme de drama, enfrenta títulos de grande orçamento e visibilidade internacional, como Frankenstein, Hamnet, Pecadores e Sarraf.

O otimismo em torno do filme se sustenta nos resultados recentes. Além do Critics Choice, o longa conquistou o chamado trifecta da crítica norte-americana, com prêmios da National Society of Film Critics, do New York Film Critics Circle e da Los Angeles Film Critics Association. Ao todo, já soma 48 prêmios internacionais.

“O prêmio do Critics Choice deu uma visibilidade ainda maior para O Agente Secreto, que está tendo uma carreira excelente nos cinemas dos Estados Unidos”, afirmou Kleber Mendonça Filho. Segundo o diretor, o reconhecimento contribui para ampliar o debate sobre o cinema internacional em um momento político sensível nos EUA.

No circuito comercial, os números também impressionam. Em sua nona semana em cartaz no Brasil, o filme ultrapassou 1,1 milhão de espectadores. Na França, o público já se aproxima de 300 mil pessoas, com estreias previstas para Itália e Espanha no fim de janeiro e lançamento no Reino Unido e na Irlanda em fevereiro.

A agenda internacional segue intensa. Além do Globo de Ouro, O Agente Secreto concorre ao prêmio de melhor filme internacional no Independent Spirit Awards, está entre os indicados ao Lumières, da crítica francesa, e integra a shortlist do Oscar nas categorias de melhor filme internacional e elenco. As indicações finais ao Oscar serão anunciadas no dia 22 de janeiro.

Da Redação do Mais55