Com estoques em queda, rebanho doméstico reduzido e importações brasileiras travadas por tarifas de até 76,4%, preços da carne bovina disparam e devem atingir novos recordes nos próximos meses.
Os bifes e hambúrgueres podem se tornar o novo símbolo da inflação de alimentos nos Estados Unidos. Após os ovos marcarem os altos preços no fim do ano passado, a carne bovina agora ocupa o centro das atenções, com aumentos acelerados e risco de escassez nas prateleiras.
As restrições impostas pelo governo Donald Trump às importações do Brasil, maior exportador de carne do mundo, intensificaram a pressão sobre os já limitados suprimentos domésticos. O cenário deve levar a novos recordes nos preços, de acordo com o comerciante global de carnes Parker-Migliorini International (PMI Foods).
“Poderemos ver uma escassez no mercado”, disse Darin Parker, presidente da PMI Foods, em entrevista à Bloomberg News. “Os preços da carne bovina poderiam ser semelhantes ao problema dos ovos do governo Biden, devido aos aumentos extremos que terão de ocorrer.”
No ano passado, os ovos se tornaram um símbolo da inflação no governo Joe Biden, após um surto de gripe aviária disparar os custos e gerar prateleiras vazias em supermercados. O episódio foi explorado politicamente pelo então candidato Donald Trump, que usou o tema para criticar a condução da economia.
Agora, a carne bovina repete a trajetória. Segundo dados do Bureau of Labor Statistics, os preços subiram por oito meses consecutivos em base não ajustada sazonalmente, com agosto registrando o maior salto mensal em quase quatro anos.
A pressão reflete o menor rebanho bovino em décadas nos EUA, aliado à queda de quase 9% no número de vacas processadas neste trimestre — o nível mais baixo desde 2016. A situação se agravou com a proibição de compras de gado do México por questões sanitárias.
Até julho, o impacto sobre os consumidores foi amenizado pelo aumento das importações brasileiras, que quase dobraram no período. Mas o movimento perdeu fôlego após Trump impor, em agosto, uma tarifa adicional de 40%, elevando a carga total a 76,4% para os embarques de carne bovina do Brasil.
“Na prática, o Brasil está fora do jogo, porque ninguém consegue pagar essa tarifa”, afirmou Parker, que também integra o comitê executivo da Federação de Exportação de Carnes dos EUA. Ele prevê que a inflação da carne bovina deve se intensificar nos próximos meses, à medida que os estoques acumulados antes da medida se esgotem e outros fornecedores passem a ditar os preços.
Da Redação do Mais55



