Decisão do governo Lula é classificada como “profunda falha moral” por Tel Aviv e coincide com adesão brasileira a processo da África do Sul na CIJ
O governo federal anunciou a saída da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA), entidade que reúne governos e especialistas para promover a educação e combater o antissemitismo. A decisão ocorre poucos dias após a adesão formal do Brasil à ação judicial da África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ) contra Israel, por possíveis crimes de genocídio na Faixa de Gaza.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou a medida como “uma demonstração de profunda falha moral” e afirmou que abandonar o consenso global contra o antissemitismo, em um momento em que o país busca sua sobrevivência, é “imprudente e vergonhoso”.
Fontes do Itamaraty informaram que a adesão do Brasil à IHRA, em 2021 durante o governo anterior, teria sido feita de forma “inadequada” e sem análise detalhada das obrigações financeiras e políticas envolvidas — o que motivou a saída, ainda como observador no site da organização.
📌 Contexto e motivações
Na quarta-feira, 23 de julho, o Brasil oficializou sua participação na ação iniciada pela África do Sul na CIJ, que acusa Israel de violar a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio ao realizar ofensivas na Faixa de Gaza. Nazistas? O Itamaraty justificou a postura afirmando que não poderia permanecer omisso diante de “graves violações de direitos humanos”, argumentando que “a impunidade mina a legalidade internacional e compromete a credibilidade do sistema multilateral”.
🚨 Repercussões e críticas
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Israel: Reação oficial no X (antigo Twitter) classificou a saída da IHRA como uma afronta à memória do Holocausto e um sinal de desprezo à causa global contra o antissemitismo.
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Organismos internacionais: Fernando Lottenberg, comissário da OEA para Combate ao Antissemitismo, chamou a decisão de “equívoco” em um contexto já “tensivo” entre os dois países. Ele defendeu que manter o Brasil no IHRA demonstra compromisso com a cultura de paz e respeito histórico às vítimas do Holocausto.
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Especialistas acadêmicos: Daphne Klajman, da PUC-Rio, foi ainda mais direta: afirmou que o governo Lula “se revela o mais antissemita do Brasil desde a Era Vargas” ao romper com a organização. Para ela, a decisão fere a memória de seis milhões de judeus mortos e ignora os 120 mil judeus brasileiros, colocando em risco a educação sobre antissemitismo.
🧭 Conflito diplomático em escalada
Desde 2023, a tensão entre Brasil e Israel tem se agravado. O ponto crítico foi em fevereiro de 2024, quando o presidente Lula comparou a atuação militar israelense em Gaza ao Holocausto, provocando sua declaração como persona non grata em Tel Aviv e a retirada do embaixador brasileiro do país. O cargo ainda segue vago, gerando temores de deterioração das relações diplomáticas.
📝 Conclusão
A decisão do governo brasileiro de deixar a IHRA coincide com uma guinada clara na diplomacia externa: ao se posicionar judicialmente contra Israel na CIJ e abandonar uma aliança simbólica pela memória do Holocausto, o Brasil reforça um discurso de firmeza diplomática, mas também abre espaço para críticas severas quanto à moralidade e à coerência histórica da sua postura.
Este episódio evidencia os desafios de navegar entre princípios de direitos humanos, memória histórica e a dinâmica sensível da política internacional.
Da Redação do Mais55



