📊 Números alarmantes
-
Amazônia Legal: o sistema Deter, do Inpe, registrou 2.090,3 km² de alertas de desmatamento entre janeiro e junho de 2025 – um aumento de 27% em relação aos 1.644,9 km² do mesmo período de 2024. Trata-se do primeiro crescimento registrado neste governo.
-
Cerrado: choca por manter o ritmo de devastação; no entanto, o desmatamento apresentou redução de 10% a 11%, caindo de 3.724,3 km² para cerca de 3.358 km².
🏞️ Aonde a destruição se concentra
-
Na Amazônia, Mato Grosso lidera com mais da metade do total, cerca de 1.097–1.551 km² (variações entre fontes), seguido por Pará e Amazonas.
-
No Cerrado, o grosso ocorreu em Piauí (708 km²), Tocantins (747 km²) e Maranhão (704 km²).
🔥 Por que a Amazônia voltou a crescer?
Especialistas alertam que os tipos de desmate têm sido alterados:
-
Houve um aumento expressivo no chamado “desmatamento com vegetação”, que ocorre após incêndios intensos, especialmente em maio e em áreas que, antes, estavam encobertas por nuvens.
-
Incêndios atípicos entre agosto e outubro de 2024, combinados com seca intensa, foram apontados pelo Ministério do Meio Ambiente e pesquisadores como principais fatores por trás do aumento .
-
O Inpe informou que, sem o impacto desses incêndios e secas, o desmatamento teria caído em 1,5% este semestre.
📌 E o que explica a redução no Cerrado?
-
A queda no Cerrado está relacionada à melhoria no licenciamento ambiental e fiscalização, com maior atuação do governo federal e suporte dos estados.
-
Contudo, esse bioma ainda é vulnerável: a lei brasileira permite desmatar até 80% de uma propriedade no Cerrado (contra 20% na Amazônia), o que mantém a pressão ambiental.
🎯 Reações e estratégias governamentais
-
O Ministério do Meio Ambiente ressalta que as equipes de fiscalização seguem ativas e que sem a influência das queimadas o desmatamento apresentaria tendência de queda .
-
Em junho, o presidente Lula anunciou R$ 825,7 milhões do Fundo Amazônia para reforçar a fiscalização – comprando drones, helicópteros e modernizando sistemas de monitoramento.
-
Ambientalistas e organizações como o Greenpeace criticam o potencial retrocesso no licenciamento ambiental, com o chamado “PL da Devastação” (PL 2.159/2021) que pode enfraquecer controles.
🔎 O que os próximos dados podem mostrar?
-
Ane Alencar (IPAM): alerta para a necessidade de inovar nas ações de preservação – atingiu-se um teto na eficácia das quedas semestrais.
-
A continuidade ou reversão dessa tendência vai depender de fatores climáticos (chuvas, seca), efeitos das políticas públicas e pressão por mais fiscalização.
📝 Conclusão
O aumento de 27% no desmatamento da Amazônia no 1º semestre de 2025 contrasta com o esforço bem‑sucedido de queda de cerca de 10% no Cerrado. A explicação principal está na devastação derivada de incêndios atípicos e seca, que mascarariam uma tendência geral de queda. Permanecer vigilante, reforçar a fiscalização e evitar enfraquecimento das leis ambientais serão passos decisivos para evitar retrocessos.
Da Redação do Mais55



