Desde sexta-feira (6), o centro federal de Los Angeles tem sido palco de confrontos entre manifestantes e forças de segurança
Los Angeles vive dias de tensão crescente com a chegada de mais de 2.000 soldados federais enviados pelo presidente Donald Trump. O reforço militar ocorre em resposta aos protestos que se espalham pelo estado da Califórnia contra as recentes operações de imigração conduzidas pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA).
Desde sexta-feira (6), o centro federal de Los Angeles tem sido palco de confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Relatos apontam o uso de gás lacrimogêneo, spray de pimenta, balas de borracha e prisões em massa. Ao todo, mais de 100 pessoas já foram detidas, incluindo líderes sindicais e manifestantes que bloqueavam rodovias como a I-101.
“Se não agirmos agora, Los Angeles será completamente destruída”, afirmou Trump, defendendo o envio das tropas como medida de “restauração da ordem”.
Além da Guarda Nacional, cerca de 700 fuzileiros navais também foram mobilizados. Muitos foram vistos nas imediações do centro federal da cidade, onde a presença de blindados e tropas armadas transformou o ambiente urbano em uma zona de contenção.
Raides, repressão e resistência
A escalada começou com uma série de raides do ICE em áreas comerciais e industriais. Um dos alvos foi um depósito de roupas no Fashion District, onde trabalhadores imigrantes foram abordados e 44 pessoas detidas.
No sábado e domingo, a resposta veio das ruas. Milhares marcharam por Los Angeles, Compton e Paramount. Manifestantes queimaram carros autônomos, bloquearam vias expressas e enfrentaram a repressão. Seis jornalistas ficaram feridos — entre eles a repórter australiana Lauren Tomasi, atingida por uma bala de borracha.
Autoridades reagem
A prefeita de Los Angeles, Karen Bass, criticou duramente a ação federal e disse que a cidade está sendo usada como “experimento político” por Trump.
“O governo federal quer provocar o caos aqui para vender segurança com repressão. Isso é um ataque à autonomia de nosso estado”, declarou Bass.
O governador Gavin Newsom também reagiu: classificou o envio de tropas como ilegal e anunciou que o estado está entrando com ações judiciais para impedir a presença militar sem consentimento estadual.
Imigrantes e defensores dos direitos civis
Organizações como a ACLU denunciam o caráter arbitrário das prisões e afirmam que comunidades inteiras estão sendo aterrorizadas.
“Essa não é uma operação de segurança. É uma campanha de intimidação racial e política contra imigrantes e contra o povo da Califórnia”, afirmou Delia Ramirez, advogada de direitos civis.
O que vem pela frente
Novos protestos estão marcados para os próximos dias em diversas cidades californianas. Apesar da reação estadual, Trump promete seguir ampliando a operação federal caso os distúrbios se intensifiquem.
A crise expõe um embate direto entre o governo federal e os estados — e reacende o debate sobre os limites do poder presidencial em tempos de tensão social.
Da Redação do Mais55



