Itamaraty expressa preocupação com impacto sobre exportações; especialistas apontam risco para agronegócio
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) manifestou, nesta segunda-feira (26), sua preocupação após a União Europeia incluir o Brasil na lista de países com “risco médio” de desmatamento. A classificação pode impactar significativamente as exportações brasileiras, sobretudo de commodities agrícolas como soja, carne bovina e madeira.
A medida europeia integra o novo Regulamento de Produtos Livres de Desmatamento, que exige comprovação de que produtos importados não contribuíram para o desmatamento ou degradação florestal, com base em dados geoespaciais e certificações ambientais.
Itamaraty contesta critérios
Em nota oficial, o Itamaraty criticou os critérios utilizados pela União Europeia, classificando-os como “inadequados” e ressaltando os esforços do Brasil para reduzir o desmatamento ilegal e ampliar a fiscalização ambiental.
“O Brasil tem atuado de maneira firme e transparente no combate ao desmatamento e não aceita ser penalizado com base em critérios que não refletem a realidade nacional”, afirmou a chancelaria brasileira.
Nos bastidores, fontes do governo apontam receio de que a medida afete a competitividade dos produtos brasileiros no mercado europeu, que absorve cerca de 17% das exportações agrícolas do país.
Especialistas apontam riscos e oportunidades
Para especialistas em comércio exterior e meio ambiente, a classificação da União Europeia representa um alerta ao Brasil sobre a necessidade de fortalecer políticas ambientais e garantir maior rastreabilidade nas cadeias produtivas.
Por outro lado, analistas apontam que o novo regulamento pode estimular o país a acelerar a transição para práticas agrícolas mais sustentáveis, como forma de preservar o acesso ao mercado europeu, considerado um dos mais rigorosos do mundo em matéria ambiental.
Diplomacia em curso
O governo brasileiro articula uma ofensiva diplomática para tentar reverter ou mitigar os efeitos da medida, ao mesmo tempo em que reforça negociações bilaterais com outros mercados, como China e países árabes, buscando reduzir a dependência da União Europeia.
A situação ocorre em meio a discussões sobre a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia, que tem sido travado justamente por questões ambientais e compromissos relacionados à proteção da Amazônia.
Da Redação do Mais55



