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Como aproveitar as festas juninas sem parar na emergência

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Especialista alerta para riscos que aumentam nesta época do ano, como queimaduras, intoxicações alimentares e descompensação de doenças crônicas

O cheiro de milho cozido, a canjica fumegante, as fogueiras acesas e o som do forró fazem parte das lembranças mais afetivas das festas juninas. Mas, para algumas pessoas, a celebração termina de forma bem diferente: em uma sala de emergência.

Queimaduras provocadas por fogueiras e fogos de artifício, intoxicações alimentares, crises hipertensivas, aumento da glicemia e agravamento de doenças respiratórias estão entre os problemas de saúde que costumam se tornar mais frequentes durante o período junino. A combinação entre temperaturas mais baixas, consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar, gordura e sódio, além do uso inadequado de artefatos com fogo, exige atenção redobrada.

Há dois anos, a aposentada Elenice Mendes, 71 anos, descobriu isso da pior maneira. Apaixonada pelas tradições juninas, ela aproveitava os arraiais sem se preocupar com os impactos da alimentação sobre a própria saúde.

“Sou diabética e, por muito tempo, não me colocava limites. Comia canjica, pamonha, bolo, cachorro-quente, sem pensar nas consequências. Até que passei mal durante um arraial. Fiquei enjoada, com a visão embaçada e muito tonta, e precisei procurar atendimento de emergência. Foi um susto que serviu de aprendizado. Hoje sei que preciso me controlar”, relata.

De acordo com o médico clínico e gastroenterologista Álvaro Modesto, profissional que atua no Hospital Cidade do Sol (HSol), unidade gerida pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF), pessoas com doenças crônicas não devem encarar as festas juninas como um período de exceção.

“Quem convive com diabetes, hipertensão ou outras doenças em que a alimentação faz parte do tratamento precisa manter os cuidados mesmo durante as comemorações. O diabético continua precisando controlar a ingestão de açúcares e carboidratos, enquanto o hipertenso deve evitar o excesso de alimentos ricos em sódio”, explica.

Queimaduras ainda são um dos principais perigos

Outro risco associado aos festejos juninos está relacionado ao uso de fogueiras e fogos de artifício. As crianças merecem atenção especial, já que acidentes podem causar queimaduras profundas, lesões oculares e sequelas permanentes.

A orientação é manter distância segura das chamas, não permitir brincadeiras próximas às fogueiras e nunca utilizar álcool ou outros líquidos inflamáveis para acender o fogo. Caso ocorra uma queimadura, o primeiro socorro deve ser feito apenas com água corrente em temperatura ambiente.

“Não devem ser aplicados gelo, manteiga, pasta de dente, borra de café ou qualquer outro produto caseiro sobre a lesão. Essas práticas podem piorar a queimadura e dificultar o tratamento”, orienta Modesto.

O frio também pode representar um risco

Além das comidas típicas e das fogueiras, as baixas temperaturas características desta época do ano também merecem atenção. O frio favorece a circulação de vírus respiratórios e provoca alterações no funcionamento do organismo, aumentando os riscos para crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e problemas cardiovasculares.

Segundo o especialista, a queda da temperatura provoca uma contração natural dos vasos sanguíneos, o que pode elevar a pressão arterial e aumentar a chance de complicações em pacientes hipertensos. Outro fator que preocupa é a redução da ingestão de líquidos.

“O frio não aumenta apenas os casos de gripes e resfriados. Ele também provoca alterações no funcionamento do organismo, favorecendo a elevação da pressão arterial e exigindo cuidados extras com a hidratação, principalmente entre pessoas mais vulneráveis.”

Quando é hora de procurar ajuda?

Em casos de urgência e emergência, a população pode procurar as unidades de pronto atendimento (UPAs) da rede ou os serviços hospitalares de referência. A recomendação é buscar atendimento médico diante de sinais como:

→ Falta de ar ou dificuldade para respirar;

→ febre persistente;

→ vômitos e diarreia intensos;

→ queimaduras extensas ou profundas;

→ dor no peito;

→ alterações importantes da pressão arterial;

→ sintomas de hiperglicemia, como visão turva, tontura e mal-estar.

“Com alguns cuidados simples, é possível aproveitar as tradições, saborear as comidas típicas e celebrar com a família sem colocar a saúde em risco”, orienta o gastroenterologista.

Da Redação do Mais55|*Com informações da IgesDF

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